Até ao momento, trinta grupos de peregrinos procederam, junto do Serviço de Peregrinos do Santuário, à sua inscrição para participação na peregrinação internacional dos dias 12 e 13 de Agosto, que será presidida por D. Claude Schocker, Bispo de Belfort-Montbéliard (França) e presidente do Serviço Nacional da Pastoral dos Migrantes de França.

Tal como desde há vários anos, o maior grupo em peregrinação a Fátima será o da Peregrinação do Migrante e do Refugiado, uma organização da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), que neste ano de 2010 pretende realçar a comunidade portuguesa residente em França e a Igreja Francesa que a acolhe.

Em mensagem disponibilizada na Internet, D. António Vitalino, Bispo de Beja e Presidente da CEMH, explica o tema da peregrinação e os motivos porque este ano as vidas de Jacinta e Francisco Marto serão recordadas de maneira especial aos peregrinos.

“A Igreja Portuguesa, por sua vez, dado que desde há muitos anos celebra este Dia Mundial (do Migrante e do Refugiado) no mês de Agosto, durante uma semana e com uma peregrinação internacional a Fátima, assumiu o tema pontifício, mas com uma característica muito própria: «Com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos Migrantes e Refugiados Menores». Todos conhecemos as figuras dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, o seu amor a Jesus, à família, a Nossa Senhora, ao Santo Padre, aos soldados em guerra, aos pecadores por cuja conversão rezavam e se sacrificavam, aos pobres e até aos próprios animais, com quem repartiam a sua escassa merenda. Este amor e compromisso coerente foi-lhes transmitido pela família, pela Igreja e pelas aparições de Nossa Senhora”, escreveu.

Ainda sobre os dois irmãos videntes de Nossa Senhora em Fátima proclamados beatos a 13 de Maio do ano 2000, D. António Vitalino refere que “aprenderam na sua infância a viver identificados com Deus, os valores evangélicos, os outros. A viver desta maneira aprende-se na família e na familiaridade com a Palavra de Deus, mais a partir do testemunho de Jesus Cristo e dos pais cristãos. Não é o dinheiro, a riqueza material, as estruturas económicas e políticas, que dão testemunho dos valores essenciais para o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, sobretudo da criança. Sendo pobres em relação aos meios de que hoje muitas dispõem, os pastorinhos de Fátima dão-nos o exemplo de crianças realizadas e felizes”.

O prelado anuncia ainda o propósito principal desta peregrinação anual a Fátima: “Sem poder reproduzir o passado, queremos, nesta peregrinação internacional de 2010, apresentar aos portugueses e ao mundo estas interpelações veementes do Evangelho, da Mensagem do Santo Padre e da situação em Portugal no que se refere aos migrantes e refugiados menores, com o amor, a oração e o testemunho dos bem-aventurados Francisco e Jacinta. Se a presente crise exigir mais moderação nos nossos consumos e estilo de vida, que nunca falte às nossas crianças a comunhão da família, o amor e dedicação dos adultos e da sociedade, para que o futuro deste mundo global seja mais pacífico e coeso”.

Para 15 de Agosto, está a ser preparada a Jornada Nacional de Solidariedade com a Pastoral da Mobilidade Humana.

LeopolDina Simões, Sala de Imprensa do Santuário de Fátima


Santuário de Fátima recorda a debulha do trigo

postado por: CN Notícia Internacional
Ago 7

A eira da casa da vidente Lúcia de Jesus, propriedade do Santuário de Fátima, está hoje em uso para a debulha do trigo segundo os procedimentos antigos da região, isto é, manualmente, com utilização de alfaias de madeira, como os moais (ou manguais), que malham o cereal, e o forcado, para juntar a palha. Não faltam as pás de madeira e os tradicionais crivos.

É certo que a debulha poderia ser feita de outra maneira, mais mecânica, mas não era a mesma coisa. Os funcionários do Santuário propuseram-se este ano a recordar o processo de antigamente, o que os seus responsáveis louvaram. Francisco, Madail e Manuel dos Reis, acompanhados pelo Eng. Joaquim Isabel, sabem bem como se “tira” o cereal da espiga e é isso que estão a fazer.

Os peregrinos de visita à Casa da Lúcia encontram hoje esta azáfama, a meio caminho entre a casa e o poço. Reagem com interesse.

“Somos da Galiza, lá também era assim e também fazemos como aqui: a comunidade junta-se uma vez no ano para mostrar aos mais jovens como se fazia a debulha”, afirma o casal Eliva e José Manuel, ele com avós portugueses, e pela segunda vez em visita a Fátima.

Logo depois, um casal com crianças pára junto à eira recentemente reabilitada. Mais umas fotos e o pai explica que o grão que dali sai é moído em farinha e depois transformado em pão.

Um dos funcionários, enquanto revolve a palha para voltar a malhar nela, exclama que “O que fizemos esta manhã já dava para um pão!”

A ideia não é contudo esta. Inicialmente o Santuário propôs-se semear trigo para feno para alimentação das ovelhas que encantam os peregrinos, em especial as crianças, junto da Casa de Irmã Lúcia, bastante visitada nesta altura do Verão. A sementeira, em terrenos do Santuário na zona dos Valinhos próximo da Sexta estação da Via-Sacra, seria também para alimentar a fauna selvagem, e para os peregrinos poderem observar a beleza dos terrenos cultivados.

“Mas depois ficou tão bonito que não apanhámos o feno e começámos a pensar nesta ideia. Resolveu-se tirar partido da produção para fazer reviver os tempos antigos”, explica o Eng. Isabel que acrescenta o perigo de se perderem tradições antigas e de os mais jovens não conhecerem os modos de vida e de trabalho dos seus antepassados.

Para que todo este processo fosse desta vez feito de maneira tradicional, o corte foi feito manualmente, com foice de mão, e os molhos (ou rolheiros) atados com os próprios caules da planta. Enquanto explica o procedimento, este responsável mostra pequenos vídeos gravados no telemóvel. “Registei muito. É que é uma pena, daqui a cinco, seis anos já ninguém sabe fazer isto”.

Está na hora de refrescar a garganta e de merendar. É que o trabalho vai durar até perto das 16:00.

Fonte: Santuário de Fátima